Desde o início deste blog, eu procuro uma história que seja símbolo da minha luta na defesa desse esporte.
Cansada de escutar o velho conto do "Tio/Avô" fazendeiro que perdeu tudo na mesa de Poker, sempre procurei ilustrar histórias de campeões e de ídolos que representam a vitória no meio.
Profissionais que provam com seus esforços que os resultados em longo prazo vêm da perseverança e dedicação e não apenas da sorte, como dizem os leigos.
Hoje os personagens são Filipi Lima e Aline Santiago.
Era uma vez um menino que tinha um sonho de entrar no exército, brincar de ser herói do seu país. Ele queria viver todas as emoções possíveis e realizar o impossível.
A vida desse garoto cruzou com uma garota, que lá na frente iria descobrir uma força que nem ela sabia possuir, e iria perceber dentro dela um amor que nenhum poeta conseguiu descrever em palavras.
Ambos iniciaram ali uma caminhada, começaram a construir sonhos e um relacionamento como qualquer personagem comum, imagino. Devem ter feito planos de ter uma casa, escolheram os nomes dos filhos que ainda nem existiam, talvez até tenham discutido pela decisão de ter ou não um cachorro ou se a sogra iria ou não poder passar uma temporada por lá, e todas as certezas e incertezas que fazem o começo de uma relação.
Mas o destino surpreendeu esses personagens. Num dia até então como qualquer outro, em que o Filipi voltava da casa da Aline de Patins (Esporte que ele adorava praticar), um caminhão cruzou seu caminho. A partir daquele momento, sua vida jamais seria a mesma.
Depois de uma luta intensa no hospital e reabilitação, a volta pra casa mostrou outra realidade. Filipi havia percebido, no momento em que acordou, ainda caído ao lado do caminhão, que não havia movimento no seu corpo, que do pescoço pra baixo ele não sentia nada.
E logo depois da nova vida em casa, nossos personagens encararam as dificuldades que um "tetraplégico" precisar enfrentar para ter uma vida feliz e integrada à sociedade. E eis que surge o Poker na vida dos nossos heróis.
O Filipi obteve nesse esporte a chance de recomeçar. Confira algumas declarações deles sobre o assunto:
“Uma das coisas que me ajudaram a tomar essa decisão também é o fato de ser cadeirante, pois, no poker o resultado só depende de mim, e já me magoei muito com empresas e colegas, que sempre falam de vagas para deficientes, mas raramente no meu caso que sou tetraplégico.
“Hoje já levo o poker como profissão, pois todo dia quando acordo e abro as salas eu digo: hora de trabalhar.”"Ainda não tive resultados para dizer que vivo disso, mas tenho confiança que um dia vou chegar lá, é só uma questão de tempo, estudo e dedicação, acredito muito em Deus e em mim."
O Filipi é um verdadeiro exemplo de superação e força de vontade, mas quero falar aqui de outra personagem dessa história a quem dedico toda minha admiração: a ALINE.
Sempre recebo muitos elogios pela minha postura em apoiar a decisão do meu namorado em ser jogador de poker. Mas por tudo que esse personagem que eu criei representa, não tenho receio nenhum em dizer que a Aline é o verdadeiro símbolo desta luta, um exemplo de coragem como poucas de nós, namoradas, poderemos ser. Eu diria que ela é a verdadeira Garota Poker!
Abaixo a minha pequena homenagem, feita com meu grande amigo Maikon Nora, para ilustrar em imagens o que provavelmente nem "um milhão" de palavras conseguiriam fazer.
O twitter do Filipi é @filipilima1 e seu blog é http://filipi-lima.blogspot.com/ .
Agradecimentos Especiais ao Maikon Nora ( @tatuuguitar) e ao Luigi Almeida (@luigialmeida) que dedicaram tempo do seu domingo para me ajudar a elaborar essa merecida homenagem.
Garota Poker (Priscilla)


